segunda-feira, 8 de maio de 2017

Dangerous Life 3° - Capítulo 11 - Not so easy




Nos instantes seguintes a porta foi aberta, relevando uma das empregadas que ficou um tanto surpresa ao me ver.

- Seja bem-vinda, de volta senhora. – Ela disse simpática.

Sorri fraco como agradecimento e pus meus pés dentro de casa.

Finalmente eu estava em minha casa.

- Uau! Isso é um palácio. – Lucca comentou impressionado.

- Vamos Christian, eu não tenho o dia todo! – Sua voz rude e rouca ecoou pela sala.

Estranhamente meu coração acelerou de forma descompassada e sentia que minhas pernas não iam suportar o peso do meu corpo.

- O que foi? – Lucca perguntou me analisando.

Era óbvio que eu não estava no meu normal.

- Você está bem, Mellanie? – Hugh me perguntou também parando do meu lado.

Foi o momento certo que Justin apareceu com o Christian na nossa frente. Foi como se fossemos ímãs e nossos olhares foram atraídos um pelo outro. Depois de um mês sem vê-lo e sem falar com ele, finalmente estávamos cara a cara. Foi como se tudo ao nosso redor tivesse sumido e restado apenas nós dois.

Nem parecia que ele tinha sofrido uma overdose semanas à atrás. Me parecia saudável embora carregasse um semblante estressado naquele momento. Eu não conseguia desgrudar meus olhos dele. Era algo mais forte que eu. Apesar do que ele fez, eu estava morrendo de vontade de abraça-lo e confessar que senti saudades. Sobretudo, meu orgulho é muito maior que qualquer vontade que eu possa sentir.

- Mamãe! – Uma voz angelical ecoou em meus ouvidos, me fazendo encerrar o transe visual e olhar para baixo, vendo meu pequeno agarrado em minhas pernas.

- Oi meu amor! – Disse me agachando para pegá-lo nos braços.

Quando levantei o olhar, Justin não olhava mais para mim e sim para Lucca.

- Pessoal, olha só quem está de volta! – Christian berrou para que os quatro cantos da mansão ouvissem. – Que saudades! – Ele disse me abraçando de lado.

Fiquei triste em saber que meu primeiro abraço de boas-vindas não foi do Justin. Inclusive, ele me olhou de relance e passou pela porta, esbarrando nos seguranças que traziam nossas malas. Imbecil!

- Vou indo, hoje não está sendo um bom dia para ele. – Christian disse e saiu, o acompanhando.

- Quem era? – Minha mãe me perguntou.

- Depois nós conversamos. – Sussurrei.

- Mellanie! – Jeremy apareceu de braços abertos, carregando um sorriso largo nos lábios.

- Jeremy! – Disse indo abraça-lo desajeitada, devido à Jason ainda estar em meus braços.

- Porque não nos avisou que chegaria hoje? Poderíamos ter feito uma festinha de boas-vindas. – Ele disse afagando meus cabelos.

- Imagina, não precisa disso. – Respondi.

- Querida, seja bem-vinda! – Pattie disse me abraçando também.

- Obrigada. – Agradeci.

Jazmyn e Jaxon não apareceram, devem estar ocupados com alguma coisa.

- Bom, deixem-me apresentar minha mãe e meu irmão. – Disse.

- Como assim? Sua mãe não estava morta? – Jeremy perguntou surpreso.

- Eu também pensei que estava. Aproveitei minha ida ao Brasil para investigar sobre o acidente e acabei descobrindo que ela não tinha morrido. – Respondi.

- Caramba! – Pattie murmurou. – Prazer, me chamo Patrícia mais pode me chamar de Pattie. Seja bem-vinda à nossa casa. – Estendeu a mão para minha mãe.

- Obrigada. – Minha mãe respondeu sorrindo e apertando sua mão. – Me chamo Madison.

- Bem-vinda Madison! – Jeremy respondeu.

- E esse é meu irmão por parte de pai, Lucca! – Apontei para Lucca que estava ainda olhando a casa, com as mãos dentro dos bolsos.

- Ah, oi! – Ele respondeu. – Prazer em conhecê-los.

Lucca cumprimentou Pattie e Jeremy com um aperto de mãos.

- Não sei se vocês conhecem, mas esse é Hugh. Meus dois braços na Rússia. – Apontei para Hugh.

- Devo ter ouvido Justin falar sobre ele. – Jeremy respondeu. – Prazer! – Estendeu a mão para Hugh.

- Ele não é bom em inglês, então o diálogo vai ficar complicado. – Respondi e Jeremy riu.

Traduzi para Hugh e ele riu apertando a mão de Jeremy.

- Adoro ter visitas em casa! – Pattie disse sorridente. – Venham, eu mesma vou acomodá-los.

- Mãe e Lucca, podem ir com a Pattie. – Disse.

- Tudo bem. – Minha mãe respondeu.

Pattie, minha mãe e Lucca subiram as escadas. Os seguranças foram acompanhando com as malas, enquanto eu, Jason, Jeremy e Hugh fomos nos sentar nos sofás. Jason não tinha desgrudado de mim ainda.

- Não viu o Justin? – Jeremy me perguntou.

- Sim, eu vi. – Respondi o olhando. – Mas ele fingiu não me ver e saiu.

- Ele está de cabeça quente. – Jeremy respondeu e fiquei o olhando confusa. – Roubaram dois caminhões com cargas de cocaína e ele está puto querendo saber quem foi. Foi melhor ele nem ter falado nada com você, sabe como ele tem a mania de descontar tudo nos outros.

- Sim, eu sei. – Respondi por fim. – Está tudo bem por aqui?

- Sim, tudo calmo. Como foi no Brasil?

- Foi bom, descobri que também tenho família. – Sorri.

- Fico feliz por você. Apesar de ter tentado ser um pai para você, sei que nunca iria substituir o seu. Aliás, onde ele está? – Jeremy me perguntou.

- Você vai continuar sendo um paizão. – Sorri apertando sua mão. – Ele está no Brasil trabalhando. Não deu para ele vim.

- Ele trabalha com o quê?

- É advogado. – Respondi e Jeremy franziu a testa.

- Caramba! Ele sabe o que você faz? – Neguei com a cabeça. – Isso pode ser um problema.

- Eu também pensei nisso. Ele só sabe que casei com um homem bem-sucedido.

- E sua mãe?

- Ela sabe de tudo, não tinha como esconder dela. Não se preocupe, ela não irá contar nada para meu pai.

- Que bom! Vamos com calma. Não deve ser fácil descobrir que sua filha é uma criminosa quando se é advogado e jurou andar de acordo com as leis.

Concordei com a cabeça.

- Como foi a recuperação do Justin? – Perguntei.

- Tranquila. Mandar Jason para cá foi ótimo, ele tomou todo o tempo do Justin. Ao invés dele fazer besteiras, ele passava a maior parte do tempo com o Jason.

- Binquei com o papai. – Jason disse.

- Que legal. Do que vocês brincaram? – Perguntei alisando os cabelos do meu pequeno.

- Bola. – Ele respondeu.

- Hora do almoço! – Pattie apareceu na sala.

- Vamos almoçar, Hugh! – Disse para ele em russo.

- Graças à Deus, minha barriga está se comunicando comigo há séculos. – Ele respondeu e dei risada.

- Sua mãe e seu irmão já estão à nossa espera. – Pattie disse.

- Onde estão Jazmyn e Jaxon? – Perguntei me levantando e colocando Jason no chão.

Segurei em sua mãozinha e fomos caminhando em direção à cozinha.

- Foram ao cinema, logo mais estão em casa. – Jeremy respondeu.

Chegamos à cozinha, me sentei no meio da minha mãe e do Lucca.

- Meu sobrinho é lindo que nem o tio. – Lucca comentou passando a mão nos cabelos do Jason.

- Olha Jason, você tem mais um tio. – Disse apontando para o Lucca.

- Quelo pesente. – Jason disse e demos risada.

- Acho que já temos algo em comum. – Lucca respondeu e continuamos rindo.

Durante o almoço conversamos bastante. Tentei entrosar o máximo minha mãe e Lucca na família. Pattie já conversava sem parar com minha mãe e Lucca conversava sobre esportes com o Jeremy. Fiquei conversando só com o Hugh mesmo, Jason estava preocupado demais em se deliciar do pudim da Rose. Que aliás, eu estava morrendo de saudades da sua culinária.

Hugh teve que ir embora depois do almoço. Meu império na Rússia não pode ficar abandonado por muito tempo, então era melhor que ele fosse mesmo.

- Onde está seu marido? – Lucca me perguntou.

Só estávamos eu, ele, minha mãe e Jason na sala. Jeremy e Pattie haviam subido.

- É aquele que passou por nós assim que chegamos. – Respondi.

- Ele não me parecia muito amigável. – Lucca respondeu.

- Jeremy disse que ele estava tendo um dia difícil.

- Mais vocês são casados, ele deveria ter pelo menos falado com você. – Foi a vez da minha mãe opinar.

- Não sei se eu queria falar com ele também. – Dei de ombros.

- Vocês brigaram? – Lucca me perguntou.

- Sim, por isso fui para o Brasil.

- Entendi. – Ele disse por fim, não querendo aprofundar o assunto e agradeci mentalmente.

- Tudo vai se resolver. – Minha mãe respondeu.

- É... – Murmurei. – Gostaram da casa?

- Tá brincando? É enorme. – Lucca disse.

- É porque você não viu a sala de jogos, de cinema, a academia, a quadra...

- Tem tudo isso aqui? – Ele perguntou boquiaberto.

- Sim, tem. Nem usamos muito.

- Caramba! – Ele disse.

- É uma bela casa. – Minha mãe respondeu.

(...)

Depois da nossa conversa, minha mãe e meu irmão foram descansar em seus quartos. Eu não tinha entrado no meu quarto desde que havia chegado. Quando entrei, o perfume forte de Justin invadiu minhas narinas. Olhei para a nossa cama que estava arrumada impecavelmente e foi impossível não ter lembrança de nós dois desarrumando os lençóis.
Balancei minha cabeça negativamente e coloquei Jason em cima da cama, o mesmo estava sonolento.

- Me espere aqui, a mamãe vai tomar banho. – O avisei e ele assentiu com a cabeça 
fechando os olhinhos.

Procurei por minhas malas e só depois fui notar que já estavam desfeitas. As empregadas foram rápidas em arrumar minhas coisas no closet. Eu estava com uma dúvida enorme, se dormiria aqui ou se iria dormir em um quarto de hóspedes. Não faz sentindo para mim, passar um mês longe de Justin e depois dormir ao seu lado como se nada tivesse acontecido.

Peguei um roupão e me direcionei ao banheiro. Tomei um banho relaxante e demorado. É muito bom estar em casa. Saí enrolada no roupão e fui até o closet, novamente. Vesti uma lingerie, um short e uma camiseta de tecido confortável. Passei um hidratante no meu corpo, devido a minha pele estar um pouco ressecada do sol no Brasil. Penteei meus cabelos e por fim, fui até a cama. Jason já havia dormido. O ajeitei em meio a travesseiros e dei um beijo em sua testa.

Peguei meu celular colocando no bolso e uma das minhas armas, colocando no cos do short. Saí do quarto tentando não fazer barulho. Desci as escadas e encontrei Jack no meio do caminho.

- Senhora! Que bom vê-la. – Ela disse sorrindo.

- Oi Jack! Jason está dormindo, dê uma olhada nele enquanto eu estiver fora. – Disse.

- Sim, senhora. – Ela assentiu com a cabeça.

Fui até a garagem, procurei um dos meus carros e entrei na minha Ferrari preta. Manobrei e saí da garagem. Iria dar uma volta pela cidade e depois ir ao galpão. Eu tinha que ocupar minha mente. Procurei o contato da Lilly no meu Iphone e liguei para ela.

- Lilly? Vá para o galpão com a Caitlin dentro de vinte minutos. – Disse assim que ela atendeu.

- Fazer o quê? – Ela perguntou.

- Estou indo para lá. – Disse por fim.

- Aahhhh, quer dizer que a vadia chega e nem avisa? Que bela amiga você é. – Ela dramatizou.

- Estou avisando agora. – Dei de ombros, mesmo ela não vendo.

- Vou avisar a Cait, tchauzinho. – Ela disse.

- Ok. – Disse por fim e desliguei.

Pisei fundo e dentro de quinze minutos cheguei ao galpão. Os capangas me cumprimentaram e fui logo para a minha sala. Encontrei algumas papeladas em cima da mesa e dei uma olhada. Eram carregamentos da semana. Estava tudo em ordem, pelo menos aqui. Já que a minha vida estava em desordem total.

- Salve vadia! – Lilly adentrou minha sala com a Caitlin.

- Eai quengas! – As saudei também.

- Está bronzeadinha em. – Caitlin disse me olhando.

- O sol no Brasil não brinca em serviço. – Disse e elas riram.

- Que bom que está de volta. – Caitlin disse sentando-se.

- É verdade! – Lilly disse fazendo o mesmo. – Já encontrou com o Justin?

- Já. – Respondi e elas me olharam curiosa.

- Como foi? – Caitlin perguntou rápido.

- Assim que cheguei na mansão, ele ia saindo com o Christian. Nos vimos, porém ele fingiu não me ver e saiu.

- Sério? Pensei que ele iria se jogar aos seus pés. – Lilly disse.

- Ele deve estar mesmo muito puto com o roubo das cargas. Chaz me disse que ele estava louco querendo saber quem foi. – Caitlin respondeu.

- Mais acho que isso não justifica. Ele sofre um mês todo por você e quando finalmente você volta, ele age assim? – Lilly questionou.

- Vai saber o que se passa na cabeça daquela criatura. – Bufei.

- É complicado entender o Justin. – Caitlin disse.

- Eu já desisti de entender. – Dei de ombros.

- Bom, mudando aqui um pouco o assunto, estamos com um pequeno problema. – Lilly disse.

- Qual? – Perguntei a olhando. – Dei uma olhada nas papeladas aqui e está tudo ok.

- Sim, sobre os carregamentos está sim. Me referi à uma das boates. Acho que vamos ter 
que fechar uma.

- Porquê? – Perguntei.

- Tem uns tiras em cima direto. Acho que eles estão investigando à boate. Há algumas semanas que percebemos isso. Eles vão sempre juntos, vestidos normais e ficam a noite toda só observando tudo. Por isso que tiramos as vadias de lá. Se descobrirem que fazemos negócios ilegais, estamos ferradas. – Lilly disse.

- Qual à boate que estão indo? – Perguntei.

- A central. – Caitlin disse.

- Nem fudendo que vai ser fechada. A central é a mais badalada e temos uma renda boa de lá. – Disse.

- E o que pensa em fazer? – Caitlin perguntou.

- Tiras mortos não atrapalham nosso caminho. – Disse girando na minha cadeira.

- Quer mandar matá-los?

- Se continuarem de palhaçada, não vou descartar essa hipótese. – Disse firme.

- Eita que a vadia voltou com sangue nos olhos. – Lilly disse. – Podíamos sair para comemorar.

- É uma boa. Quero conhecer os urubus que andam rondando minha boate. – Respondi.

- Estou sem roupa! – Caitlin reclamou e a olhei com cara feia. – Brincadeirinha.

- Fechado então? – Lilly perguntou.

- Sim! – Concordei.

Deve ser isso mesmo que eu precise. Uma saída com as minhas amigas. Ficamos conversando sobre coisas aleatórias, até uma carga chegar. Então fomos verificar e passá-la para o servidor. Saímos do galpão por volta das seis horas, seguimos para uma lanchonete comer alguma coisa.

- Nós vamos para a mansão ou te esperamos já na boate? – Lilly me perguntou.

- Me esperem na boate, por volta das nove e meia eu estou chegando. – Respondi.

- Beleza!

Nos despedimos e cada uma foi para suas casas. Estacionei meu carro no jardim mesmo, já que iria sair logo mais tarde. Entrei em casa e ouvi risadas conhecidas. Segui para a sala e encontrei Jazmyn, Jaxon e Lucca. Estavam bem animados conversando.

- Que bom que já se conhecem. – Disse ao vê-los.

- Mel! – Jazmyn levantou-se e me abraçou. – Pensei que não fosse voltar mais.

- Que dramática. – Disse rindo.

- Dá próxima vez que for viajar, leva a gente pelo menos. – Jaxon completou.

- Ainda bem que tem pessoas da minha idade aqui. – Lucca disse.

- Já estão amiguinhos? – Perguntei cruzando os braços.

- Pô, teu irmão é super gente boa! – Jaxon disse.

- Também achei. – Jazzy respondeu.

- Tenho um convite para vocês. – Disse e eles me olharam curiosos. – Vamos à boate hoje.

- Sério? Que maneiro! – Lucca disse.

- Tô dentro! – Jaxon respondeu.

- Eu também! Liga para a Stefane, Jaxon. – Jazzy deu a ideia.

- Ela não está aqui em Califórnia. Viajou com os pais. – Jaxon disse.


- Ah, então vai só a gente mesmo. – Jazzy deu de ombros.

- Todo mundo pronto às 9:30. – Os avisei dando às costas. – Cadê minha mãe?

- Deve estar dando banho nas plantas com a dona Pattie. – Lucca disse e dei risada.

- Que ótimo. – Murmurei.

Subi as escadas e me direcionei até meu quarto. Não é possível que Jason esteja dormindo ainda. Abri a porta e no mesmo instante, Justin ia saindo do banheiro. Fiz menção de dar passos atrás e sair do quarto.

- O quarto é seu também. – Justin respondeu me olhando. – Fico feliz em ter voltado.

- Não foi o que me pareceu. – Respondi e olhei para cama.
Jason não estava mais ali.

- Você volta para casa acompanhada de um macho, quer que eu solte fogos? Aliás, quem é ele? – Perguntou ainda me olhando.

- Se não tivesse saído como se não tivesse nos vistos, iria ficar sabendo quem era. – Respondi dando de ombros.

- Só senti vontade de socá-lo. Me agradeça por ter saído antes de ter feito isso. – Respondeu com desdém.

- Deixa de ser infantil. – Revirei os olhos.

- Que merda! – Ele rosnou indo em direção a cama.

- Que foi? – Perguntei sem entender.

- Até você revirando os olhos, eu senti falta. Mas pelo o que me parece, você estava pouco se fudendo para mim. – Disse pegando o controle da TV e passando os canais, sem parar em nenhum. – Eu quase morri e você nem fez questão de vim.

- Você quase morreu porque quis. Não coloque nenhum tipo de culpa em mim. A culpa é toda sua pelo o que aconteceu. – Disse firme.

- Ok Mellanie, quer colocar mais alguma culpa em mim? À vontade. – Ele deu de ombros.

- Você sabe do que é culpado, não vou precisar repetindo.

- Você vai jogar isso na minha cara pelo resto das nossas vidas? – Ele me perguntou.

- Quem sabe! Eu tenho uma boa memória, não esqueço das coisas tão fácil.

- Eu já dei o tempo que você pediu, o que quer mais? – Ele perguntou levantando-se e caminhando até a mim.

Ah não! Droga! Fique longe de mim, Bieber.

- Eu não quero nada! – Respondi rápido.

- Vamos! Me diga o que você quer, caralho. – Ele disse irritado, aproximando-se mais de 
mim.

- Fique longe de mim. – Pedi o olhando.

- Porquê? Porque não quer que eu chegue perto de você? – Ele provocou, aproximando-se ainda mais.

- Para com isso! – Disse irritada, saindo de perto dele.

- Assim não dá, Mellanie! Nós somos casados e estamos agindo como estranhos.

- Não dá mesmo! Toda vez que eu olho para você, lembro daquela maldita cena. Você acha que é fácil para mim? Eu vi o homem que eu amo beijando outra! – Esbravejei.

- Você não me ama, Mellanie! Se me amasse teria me perdoado e teria vindo me ver quando estava à beira da morte.

- Não venha querer ser a vítima da história. Por te amar que eu pedi para que se cuidasse. E o que você fez? Me magoou ainda mais. Se drogou e bebeu tudo o que viu pela frente. Você ficou louco? – O perguntei com a respiração falha.

Se ele queria pôr tudo em pratos limpos, essa era a hora.

- Diz isso como se importasse comigo... – Ele disse debochado. – Você só pensa em você, Mellanie.

- Mentira! Você que é egoísta! Por acaso pensou na sua família, pensou no Jason enquanto estava usando aquelas porcarias? – Perguntei irritada.

- Você foi cruel comigo. Ficou um mês sem me dar notícias, sem nem deixar eu ouvir a sua voz. Que tipo de amor é esse, Mellanie? – Ele perguntou com rancor.

- Eu também queria saber que tipo de amor é esse, Justin. – Respondi por fim e ficamos nos olhando.

- Você que abandonou a sua casa.

- Eu estava salvando nosso casamento, caramba!

- E por acaso salvou? – Perguntou irônico. – Você nem quer que eu chegue perto de você.

- As coisas não são tão fáceis assim. – Respondi.

- Isso está me cansando. – Ele respondeu e o olhei com a testa franzida.

- Se quiser desistir, a hora é agora. – As palavras escaparam da minha boca.
Justin me olhou por alguns segundos.

- Você sabe que eu não sou homem de desistir e não vai ser agora que vou fazer isso. O que eu quero, eu consigo. – Ele disse firme ainda com os olhos vidrados em mim. –  Prepare-se para ficar sem andar por alguns dias, depois do nosso sexo de reconciliação.

Fiquei perplexa com a cara de pau dele, nem deu tempo de xingá-lo e ele já havia saído do quarto.

- Que filho da puta! – Murmurei.

Mais só em ouvir ele falando aquela palavrinha mágica, meu corpo se acendeu de uma forma inexplicável.

Justin Bieber tem um poder sobre mim, não dá para negar. E sei que ele usaria isso ao seu favor. O xinguei mentalmente de todos os nomes possíveis. Que canalha!

O canalha que eu, infelizmente, amo.

Balancei minha cabeça negativamente espantando alguns pensamentos e saí do quarto em busca do Jason. O encontrei em seu quarto, enquanto Jack colocava seu pijama.

- Olia mamãe. É de carrim. – Ele apontou para sei pijama.

- Que lindo! – Disse. – Está com fome? – Ele assentiu com a cabeça.

- Ótimo. – O peguei nos braços e saí do quarto, Jack nos acompanhou.

(...)

Nove e vinte da noite.

Eu estava terminando de me arrumar em um dos quartos de hóspedes. Achei melhor ficar longe de Justin. Ele ainda não teve a lição que merece. Seria melhor para minha segurança e sanidade mental ficar longe dele. Dei uma última olhada no espelho e peguei minha bolsa. O vestido tomara-que-caia combinava perfeitamente com meu bronze.
Saí do quarto e caminhei pelo corredor. Bati no quarto da Jazzy, Jaxon e por fim do Lucca.

- Estamos prontos! – Eles disseram aparecendo no corredor.

- Vamos! – Disse para eles.

- Mellanie! – Ouvi a voz de Justin.

Ele tinha acabado de chegar no corredor.

- Esperamos lá em baixo. – Jazzy disse arrastando Lucca e Jaxon pelos braços.
Justin não perdeu a oportunidade de fuzilar Lucca com os olhos.

- Estou com pressa. – Disse o olhando.

- Agora lembrei que você não me disse quem é esse ser e aquela mulher.

- Lucca, é meu irmão e aquela mulher, é minha mãe. – Disse simples.

- Conta outra. Sua mãe está morta. – Ele riu debochado. – E você me contaria se ela estivesse viva.

- Pois é, estou contando agora.

- Para de palhaçada! Quem são essas pessoas? – Ele perguntou impaciente. – Têm desconhecidos transitando pela minha casa.

- Eles não são desconhecidos para mim. Já disse, é minha mãe e meu irmão.

- Fale sério comigo, Mellanie. – Disse já se irritando.

Muito esquentadinho para o meu gosto.

- Eu estou falando muito sério com você, Justin! – Disse o olhando.

- Eu não acredito. Sua mãe estava viva e agora que me contou? – Perguntou perplexo.

- Você não se importa consigo mesmo, imagine comigo. – Dei de ombros.

- Não fala assim! Você sabe que não é verdade.

- Mais alguma coisa? Estão me esperando.

- Vai sair? – Ele perguntou e abri as mãos mostrando o óbvio. – Ok Mellanie, você acabou com a pouca paciência que eu tinha com você. Amanhã quero você no meu escritório e vamos discutir a porcaria desse casamento! Se for para acabar, que acabe logo então.

Justin entrou no nosso quarto e bateu a porta com força. Fiquei parada no corredor assimilando suas palavras.

É, se for para acabar, que seja logo.


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