terça-feira, 18 de abril de 2017

Dangerous Life 3° - Capítulo 10 - The come back



Justin Bieber’s POV
Quando acordei, não consegui distinguir onde eu estava. Tudo estava meio embaçado para mim. Um gosto amargo horrível na minha boca predominava. Foram precisos alguns minutos para que eu pudesse enxergar normalmente e notar que eu tinha feito merda, pois uma agulha estava enfiada no meu braço ligada à um tubinho de soro. Eu estava em um quarto de Hospital e com toda certeza eu tinha feito merda, e das grandes.
Me sentia muito enjoado, queria vomitar, porém sentia que não tinha nada no meu estômago para tal ato. Levantei meu braço e pareceu que foram longos segundos, estava meio chapado. Estava tudo em câmera lenta para mim. Tentei me levantar, mas não consegui.
A porta foi aberta e por ela passou um homem e uma mulher vestidos de branco, com certeza devem ser médicos.
- Que bom que nosso paciente acordou. - O homem disse.
Ele deve ter falado normalmente, porém chegou até os meus ouvidos como se ele estivesse falando pausadamente. Que merda de droga é essa? Com certeza não é das boas.
- Talvez você esteja estranhando, esteja sentindo uma lerdeza no corpo e nos sentidos. Mas fique tranquilo, é só um medicamento para desintoxicar seu corpo. - Ele continuou a falar.
- O que… aconteceu? - Consegui formular uma frase.
- Você sofreu uma overdose. - A médica respondeu e demorei um pouco para entender. - Nós já fizemos uma lavagem gástrica e intestinal, por isso que você está no soro. E agora estamos aplicando um coquetel de medicamentos para você ficar limpo de vez.
Puta que pariu, eu sabia que tinha feito merda.
- Eu sei que você mal acordou, porém vamos aplicar outra dose do coquetel. - O médico disse dessa vez pegando no meu braço.
Cacete, eu odeio agulhas! Não tive força nem de puxar meu braço, ele enfiou a agulha no mesmo e liberou aquele líquido na minha corrente sanguínea. Aos poucos fui me sentindo mais lesado ainda, minhas pálpebras pesaram e as fechei.
(...)
Despertei com a mesma sensação de enjoo, mais a tontura já havia passado. Consegui ver tudo nítido à minha frente. Fiquei longos minutos encarando o nada, até que entraram no quarto. Era minha mãe e meu pai, ambos com uma expressão nada boa.
- Finalmente, filho! Você quase nos mata do coração. – Minha mãe disse, exagerada.
- Você é imbecil ou o quê? Isso é coisa que se faça Justin? – Meu pai esbravejou.
Fechei os olhos, sua voz ecoou como se uma facada tivesse atingido minha cabeça.
- Calma Jeremy, deixa o garoto se recuperar pelo menos. – Minha mãe continuou, me olhando com pena.
Bufei. Detesto esse sentimento chamado pena. Não quero que sintam pena de mim.
- Eu estou bem. – Respondi.
- Depois de ter colocado um pé na cova, agora está mesmo. – Meu pai disse irônico.
- Não preciso de sermões. – Revirei os olhos.
- Pois prepare os ouvidos, porque é o que vai mais ouvir quando sair daqui. Eu fali para você crescer, virar homem, e o que acontece? Você regride e faz uma merda dessa. – Ele continuou aumentando minha dor de cabeça.
- Jeremy, já chega! – Minha mãe interferiu.
- Fez bem a Mellanie não ter vindo, porque se fosse eu no lugar dela, eu não iria me submeter à uma situação dessas. – Ele disse com raiva e saiu do quarto, batendo a porta.
Minha mãe entortou os lábios e me olhou.
- Ela não veio? – Perguntei desapontado.
Eu quase morri, porque ela não veio?
- Não, Justin, ela não veio. – Ela respondeu e fechei os olhos com força.
- PORQUÊ DIABOS ELA NÃO VEIO? EU QUASE MORRI E ELA NÃO VEIO ME VER? – Explodi.
- Talvez ela não queria te ver naquela situação deplorável. – Minha mãe disse.
- Que se foda, eu não quero saber. Ela deveria ter vindo!
Depois de tudo o que passamos, ela ainda ousou a me dar as costas. Não era ela que dizia me amar? Filha da puta!
- As coisas não são como você quer. – Minha mãe respondeu.
- Quer saber? Se ela quiser, pode ficar por lá mesmo. – Revirei os olhos.
- Tem certeza? – Minha mãe perguntou arqueando as sobrancelhas.
- Ela tá sacaneando com a minha cara, mãe. – Respondi.
- Você mereceu Justin, e eu espero que quando ela volte, você faça por merecer para que ela queira ficar do seu lado. – Ela disse e fiquei calado. – Vou sair, os garotos estão aí fora e querem ver você.
- Quando vou sair daqui? Eu odeio Hospitais. – Resmunguei.
- Ainda não sabemos. Só vão te liberar quando você estiver completamente desintoxicado. – Ela respondeu. – Amanhã eu volto aqui.
- Que saco. – Murmurei.
- Vai começando a criar juízo. – Ela disse e saiu.
Agora vou ter que ficar ouvindo besteira até não aguentar mais. Minha mãe saiu do quarto e logo entraram os garotos fazendo algazarra.
- Iai cuzão, pensei que tu tivesse passado dessa para uma pior. – Christian disse.
- Não seria uma melhor? – Chaz perguntou.
- Desde quando o Justin vai para o céu quando morrer? – Christian fez graça e rimos.
- Otário. – Respondi.
- Agora falando sério cara, que vacilo que tu deu. – Ryan disse.
- Nem comecem com lições de moral, Jeremy já encheu meu saco. – Revirei os olhos.
- É porque às vezes parece que só tem vento nessa cabeça. – Chaz respondeu.
- Antes de pensar em fazer uma besteira dessa, assina logo o testamento e deixa a metade dos carros para mim. Depois pode se matar, se quiser. – Christian disse e nós rimos.
- Vai se fuder. Vocês não vão ficar com nada meu. – Rebati.
- Brincadeiras à parte, é bom te ver bem cuzão! – Ryan disse dando tapinhas na minha perna.
Sorri fraco.
Os garotos ficaram me fazendo companhia até umas oito da noite, depois foram embora quando chegou a enfermeira chata me servindo uma lavagem de porco para comer e mais uma dosagem de remédios.
Lá se vai mais uma noite nessa droga de Hospital.
(...)
No dia seguinte, eu já estava ficando impaciente de ficar naquela porcaria com uma agulha enfiada no meu braço. Tentei arrancar mais a o médico chegou bem no mesmo instante para dar a última dose.
- Será que eu posso ir para casa? – Perguntei bufando.
- Calma rapaz, essa é a última dose, vamos ver como seu corpo reage e depois podemos dar a alta. – Ele respondeu.
Mais uma vez ele aplicou a injeção e me senti lesado. Três dias sob efeito de remédios, ninguém merece.
Dormi o resto da tarde por causa do remédio e no início da noite meus pais foram me visitar. Jeremy tinha se acalmado e não estava com tanta vontade de me matar.
- Você vai receber alta hoje! – Minha mãe disse.
Pelo menos uma notícia agradável.
- Que bom, não estava mais aguentando ficar aqui. – Respondi.
- Fique ciente que se você começar a se drogar de novo e beber feito um louco, eu deixo você agonizando no chão. – Jeremy disse firme.
Sabia que ele não estava brincando. Ele sabe ser ruim quando quer.
- É sério Justin, você não pode brincar com saúde. Dinheiro compra tudo, menos a sua saúde. – Foi a vez da minha mãe.
- Eu já entendi. – Respondi sem paciência.
- Ótimo. – Ela respondeu.
Ouvimos batidas da porta e em seguida adentrou o médico acompanhado da enfermeira.
- Boa noite! – O médico disse sorridente.
Claro, deve estar ganhando uma nota preta para me atender e ficar de bico calado.
- Boa noite! – Meus pais responderam.
- Vamos ver a ficha desse rapaz... – O velho disse. Ele deve achar que sou um adolescente, está me tratando como um. -  Overdose, uma grande quantidade de drogas e bebidas ingeridas... – Ele começou a ler a ficha e revirei os olhos. – Você teve muita sorte, pois na maioria dos casos os pacientes ficam com sequelas ou até mesmo vão a óbito. É importante que você procure uma clínica de reabilitação, você pode ter uma recaída e ocasionar outra overdose, podendo não resistir.
- Eu não sou um viciado. – Rebati irritado.
- É Doutor, foi apenas um deslize. – Minha mãe disse.
- Tudo bem, só estou fazendo as recomendações adequadas. Aliás, você tem que ficar longe de qualquer bebida alcóolica ou droga por um bom tempo. – Ele continuou.
- Um bom tempo quanto? – Perguntei.
Jeremy me olhou com cara feia. Caramba, ficar sem usar droga até que dá, mais sem beber nada? Não fode.
- O ideal seria um mês. – O médico disse.
Jura que vou ficar esse tempo todo sem beber. Não questionei e ele ainda continuou falando as recomendações.
- Posso ir agora? – Perguntei impaciente.
O médico acenou a cabeça para a enfermeira que veio tirar a agulha de mim.
- Cadê minhas roupas?
- Eu trouxe limpas. – Minha mãe disse me entregando uma bolsa.
- Ótimo. Será que podem sair do quarto?
- Rápido. – Meu pai disse e saiu, junto com minha mãe, o médico e a enfermeira.
Me sentei na cama e senti uma leve tontura. Coloquei meus pés no chão e notei que estava fraco. Peguei as roupas e caminhei em passos lentos até o banheiro que havia no quarto, tirei aquele vestido horrível do Hospital e vesti minhas roupas. Banho eu tomo em casa, só quero sair logo daqui. Me olhei no espelho e notei meu estado deplorável. Um papel estava menos pálido que eu. Saí do quarto e meus pais estavam me esperando.
- Pronto? – Perguntei.
- Podemos ir. – Minha mãe respondeu passando o braço em volta de mim.
Jeremy estava tão puto comigo que caminhava à frente. Agradeci a Deus mentalmente quando saímos daquele maldito Hospital, fui no banco de trás do carro e meu pai dirigindo com a dona Pattie na frente. Encostei minha cabeça no banco e fiquei pensando na merda da minha vida. Já não estava boa e eu conseguia piorar ainda mais.
Chegamos à mansão, desci do carro e caminhei em passos lentos até a escadaria. Minha mãe me ajudou a subir, o efeito dos remédios não havia passado ainda.
- Está com fome? – Ela me perguntou.
- Sim, não consegui comer aquela comida sem gosto do Hospital. – Respondi.
- Vou pedir para a Rose preparar alguma coisa. – Ela disse indo para a cozinha.
Jeremy aproximou-se de mim e já esperava mais sermões.
- Eu já fui jovem como você Justin, já fiz muitas besteiras como você já fez. Mas quando a Patrícia engravidou de você, eu segurei as pontas e percebi que eu tinha uma responsabilidade grande, que era cuidar de você e da sua mãe. Eu tinha uma família e precisava agir como um homem de verdade. Você já tem uma, tem um carinha que depende muito de você, depende da criação que você e a Mellanie vai dá-lo, então pela última vez, vire um homem! – Ele disse e fiquei calado, ele deu às costas para mim, porém voltou a me olhar. – Lembre-se, você é meu filho e eu só quero o seu bem, como sempre quis.
Por fim, ele foi para a cozinha. As palavras do meu pai me acertaram em cheio. Eu não podia esquecer que tinha o Jason para criar. Posso não ser o melhor exemplo de pai, mas quero dar o meu melhor. Fiquei com aquelas palavras na minha cabeça e fui em direção às escadas, subi os degraus lentamente e cheguei ao corredor.
- Justin!!! – Ouvi a voz da Jazmyn ecoar pelo mesmo.
- Oi Jazzy! – Respondi e quando vi, ela já estava agarrada em mim.
- Eu pensei que você ia morrer. – Ela disse chorosa. – Seu idiota, não faz mais isso, tá ouvindo? – Ela me olhou brava e ri fraco.
- Infelizmente você vai ter que me aturar por bastante tempo. – Disse e beijei sua testa. – Agora me larga vai, preciso ir tomar um banho.
- Vai mesmo que tá precisando. – Ela disse me soltando.
- Engraçadinha. – Baguncei seus cabelos e ela reclamou. – Quando a comida estiver pronta, manda me avisar.
- Beleza. – Ela disse e continuou seu percurso em direção à escada.
Cheguei até meu quarto e entrei. A primeira coisa que vinha em minha mente era a Mellanie. Que droga!
Que saudades que eu estou da minha vadia! Porque ela tinha que ser assim? Eu pensei que não existia uma pessoa mais orgulhosa que eu, porém isso mudou quando conheci a Mellanie. Com certeza ela é a definição para a palavra orgulho.
Passei direto para o banheiro, me despi e tomei um longo banho. Tirei a barba – alguns pelos – para melhorar a cara de defunto. Me enrolei em uma toalha e fui para o closet, vesti uma cueca qualquer, uma calça de moletom e uma camiseta. Me deitei na cama e fiquei encarando o teto. Encarei meu celular em cima do criado-mudo e o peguei, iria ligar para a Mellanie, só que estava sem bateria. Bufei, fui procurar o carregador e deixei carregando.
Ouvi batidas na porta, com certeza era a Jazzy avisando que a comida estava pronta. Me levantei devagar e fui até a porta, girando o trinco.
- Que rápido. – Disse abrindo a porta.
- Papai!
Eu nem acreditei quando vi Jason à minha frente no colo da Lilly. Pisquei algumas vezes, podia ser efeito do remédio ainda. Mas não, era muito real.
- Papai! – Ele disse de novo estendendo os braços para mim.
- Meu campeão. – Disse o pegando e o abraçando forte, senti medo até de quebrá-lo.
Senti seus braços frágeis rodeando meu pescoço e me apertando. Recarreguei todas as minhas energias em apenas um abraço.
- Que surpresa boa! – Disse o olhando. – Você está bronzeado em cara. – Fiz cócegas nele que riu.
- Ele estava com muitas saudades de você. E é até melhor ele aqui para ver se você coloca o pé no chão. – Lilly disse me olhando.
- Quem o trouxe? – Perguntei.
Será que a Mellanie veio também?
- Eu fui buscá-lo. – Ela respondeu.
- E a Mellanie não veio porquê?
- Porque não acabou o mês ué. – Ela deu de ombros.
- Ela está pouco se fu... – iniciei e notei que o Jason estava nos meus braços, o olhei e ele deu um sorrisinho. – Não está nem aí para mim, se fosse outra teria vindo me ver quando estava no Hospital.
- Não é bem assim Justin. Eu nem deveria falar isso para você, mas ela ficou super mal quando soube o que aconteceu e ficou muito puta com você. – Ela disse.
- Ficou mal e não voltou. – Rebati.
- Olha, o mês está quase acabando, daqui a pouco ela está aqui e vocês vão poder se acertar. Aproveita esse tempo com o Jason e curte o seu filho, babaca. – Ela disse acariciando os fios loiros do Jason.
- Eu sei, eu sei. – Disse por fim. – Obrigada por ter ido buscá-lo.
- Não precisa agradecer. Eu fiz isso por ele. – Ela respondeu não querendo dar o braço a torcer.
- Ah claro. – Respondi. – Vamos jantar?
- Vamos! Estão nos esperando. Os garotos estão aí. – Ela disse caminhando.
A acompanhei levando Jason nos braços. Eu nem acreditava ainda que meu pequeno estava comigo. Dei vários beijos nele até chegarmos à cozinha, onde tomaram ele de mim.
Jason trouxe um pouco de alegria que estava faltando nessa casa, porém continua incompleta. O sentei no meu colo e no meio do jantar, ele dormiu sentado. Coitado, deve ser o fuso horário. Me retirei da mesa e o levei para meu quarto. O deitei na cama e me deitei ao seu lado, fiquei o observando dormir por bastante tempo.
Mellanie podia não estar aqui, mais tinha um pedacinho dela aqui comigo.
Mellanie Bieber’s POV
Jason mal tinha ido para Los Angeles e eu já estava com saudades do meu pinguinho de gente. Tive tempo de mostrá-lo para minha mãe e meu pai que ficaram encantados com meu pequeno. Quem em sã consciência não gostaria do Jason? Ele é apaixonante.
Aparentemente, meus pais estavam tentando recuperar o tempo perdido. E eu ficava extremamente feliz, finalmente as coisas estavam indo para seu devido lugar. Soube que meu pai nunca se casou depois da minha mãe, porém teve um filho com outra mulher. E hoje eu iria conhecê-lo. Ganhei pais e de brinde veio um irmão, se eu estava animada? Claro.
Marcamos um almoço para nos conhecer e já estávamos de saída. Para mim ainda parecia surreal, eu via minha mãe e meu pai ao meu lado mais não conseguia acreditar. Às vezes me pegava apertando minha mãe para saber se ela era real mesmo. Para ter a certeza que ela estava mesmo comigo, depois de tanta coisa ruim que passei.
- Qual a idade dele? – Perguntei atenta à estrada.
- Dezenove. – Ele respondeu e o olhei arqueando as sobrancelhas.
- Como assim? Não foi depois da minha mãe sumir?
- Não, você era pequena quando soube que tinha outra mulher grávida de mim. – Ele disse.
- Você era bem danadinho, em. – Disse e ele riu.
- Ela me deu um golpe. – Ele se defendeu.
- Que mentira. – Minha mãe disse indignada.
Eles foram tendo uma mini DR até chegarmos ao restaurante.
- Mais você sabe que eu sempre te amei. – Meu pai disse para ela quando descemos do carro.
Os olhei e meu coração apertou. Que saudades do Justin!
- Eu sei. – Ela respondeu e ele a abraçou de lado.
Sorri para os dois e entramos no estabelecimento. Um garçom nos guiou até uma mesa mais reservada.
- Cadê ele? – Perguntei.
- Deve estar chegando. Ele não gosta muito de cumprir com os horários. – Meu pai respondeu.
- Acho que isso ele deve ter puxado de mim. – Respondi e ele riu.
- Estou tão feliz por ter vocês aqui. – Ele disse pegando na minha mão e na da minha mãe.
- Eu que estou, três dias atrás eu era órfã de pai e mãe. Eu tenho uma família agora. – Sorri.
- E a família do seu marido? – Meu pai perguntou. – Aliás, eu quero conhecê-lo.
- Ah, não é a mesma coisa sabe. Você vai conhecê-lo. – Disse.
Só a minha mãe sabia da traição. Não quero sujar a imagem do Justin logo de cara com o meu pai.
- Que bom. – Ele disse por fim.
Apesar das suas brincadeiras, notei que ele era bem severo. Acho que a profissão dele exige bastante isso.
- Desculpem o atraso. – Uma voz soou do nosso lado.
Ergui a cabeça e dei de cara com um rapaz alto, um físico legal, cabelos castanhos e olhos claros. Não chegavam a ser azuis como os nossos, porém eram claros.
- Como sempre né, Lucca. – Meu pai disse para o rapaz.
Lucca, esse é o nome do meu irmão.
- Sabe como é o trânsito, né pai. – Ele disse sacana.
Me identifiquei com esse garoto.
- Essa é a Madison e sua irmã, Mellanie. – Meu pai disse nos apresentando.
- Olá, prazer em conhecê-las. – Ele disse curvando-se para nós.
- Deixa de palhaçada, garoto. – Meu pai disse revirando os olhos.
Dei gargalhada.
- Ah pai. – Ele resmungou.
- Já gostei de você. – Respondi o olhando e ele piscou para mim.
- Alguém nessa família que gosta de mim. – Ele disse dramático. – Que tal a gente se abraçar? Irmãos devem fazer isso... – Coçou a cabeça.
- Certeza que o Lucca tem problemas mentais. – Ouvi meu pai sussurrar para a minha mãe e dei risada me levantando.
- Meu pai depositou toda a beleza só em você. – Lucca disse me abraçando e ri.
- Você não é de se jogar fora. – Disse e ele riu.
- Vai ser legal ter você como irmã. – Ele respondeu. – Eu sou mais velho? – Perguntou confuso.
- Não mesmo. Eu sou, você vai ter que obedecer a mim. – Disse me sentando.
- Disso eu já não gostei. – Ele respondeu. – Olá Madison, você é a gata do meu pai?
Demos risada.
- Lucca, mais respeito! – Meu pai disse e ele riu.
- Oh, quer dizer que não pareço tão velha assim. – Minha mãe respondeu.
- Ela é bem bonita, pai. – Lucca disse sentando-se do meu lado. – Confesso que você estava precisando mesmo. – Deu alguns tapinhas no braço do meu pai.
- Obrigada, querido. – Minha mãe disse.
- Podemos pedir? – Perguntei.
- Sim. – Meu pai respondeu.
Chamamos o garçom e fizemos nosso pedido. Aproveitamos para contar o resumo de tudo para o Lucca, quer dizer, o que ele precisa saber sobre mim. Que eu moro em outro país, tenho uma família e reencontrei meus pais agora.
- E você? Faz o quê da vida? – O perguntei.
- Até agora nada, terminei o ensino médio e viajei. – Lucca respondeu.
- Ele estava fazendo um intercambio agora. Faz um mês que voltou da Europa. – Meu pai respondeu.
- Que legal. – Disse. – Não pensa em fazer faculdade?
- Claro que ele vai fazer. – Meu pai respondeu e Lucca revirou os olhos.
- Acho que não tenho muita escolha. – Ele respondeu.
- Eu acho que você deve fazer mesmo, eu não fiz porque não tive oportunidade. – Respondi.
- Está vendo, Lucca? – Meu pai indagou o olhando.
- Já entendi, pai. – Ele resmungou. – Quando você vai voltar para Los Angeles?
- Daqui a uma semana. – Respondi. – Quando vai começar a faculdade?
- Próximo mês vamos fazer a matrícula. – Meu pai respondeu.
- Você podia ir passar alguns dias comigo em Los Angeles. Sabe falar inglês? – Perguntei.
- Ele sabe, não paguei curso para ele atoa. – Ele continuou.
- É, eu sei. – Lucca disse. – Eu ia para Nova Iorque, mas com esse convite, vou optar por Califórnia mesmo. – Sorriu.
- Que bom! Você vai gostar de lá. – Respondi.
- Vão me deixar sozinho de novo? Não posso sair do trabalho agora. – Meu pai disse.
- Vai ser só uma semana, querido. Depois estou de volta. – Minha mãe disse segurando a sua mão, eles sorriram.
Não são lindos? Olhei para Lucca e sorrimos um para o outro.
- Curte balada? – Lucca me perguntou. – A gente podia ir em algumas antes de você ir embora. Sei onde fica as melhores.
- Lucca! – Meu pai o advertiu.
- Tem certeza que você não é filho mesmo da minha mãe? – O perguntei e ele riu.
- Eu acho que sim. – Ele respondeu.
- Falando em mãe, e a sua? – Perguntei.
- Eu não tenho mais contato com ela. Era uma drogada e me abandonou com meu pai. – Ele respondeu sem demonstrar nada.
Parecia ser um assunto que nem o machucava, saber que praticamente não tinha mãe. Meu pai com certeza soube assumir esse cargo de mãe também. Apesar de Lucca ter suas brincadeiras, ele sabia ser sério e era bem educado. Isso é bom, caso contrário, ele não pisaria nem na minha casa.
- Olha só, você ganhou uma. – Disse apontando para a minha mãe que sorriu de volta.
- Isso vai ser legal, irmãzinha. – Ele disse piscando e ri.
- Gostaria de lembrar que você é o caçula daqui. – Cortei seu barato e meus pais riram.
Uma semana depois...
Finalmente o mês no Brasil acabou e eu já estava voltando para casa com minha mãe, Lucca e Hugh que iria de Los Angeles para Moscou.
Lucca era praticamente meu grude, nosso santo bateu mesmo. Ele era uma criançona e me fazia rir a maior parte do tempo. Eu estava uma pilha de nervos, depois de um mês iria ver o Justin e matar as saudades do Jason.
O jatinho aterrissou, descemos e já haviam seguranças nos esperando. Minha mãe e Lucca ficaram de boca aberta.
- Por acaso seu marido é presidente dos Estados Unidos? Para que tanto segurança? – Lucca perguntou abismado e dei risada.
- Quase. – Respondi e ele me olhou confuso. – Estou brincando, bobinho.
- Isso não é exagero? – Minha mãe perguntou.
- Se fosse o Justin que tivesse mandando, aí sim você iria ver o exagero. – Disse enquanto colocavam nossas malas nos carros.
- Já estou curioso para conhecer meu cunhado. – Lucca comentou e sorri fraco.
Entramos em uma BMW e o motorista me cumprimentou formalmente. Minha mãe e Lucca se entre olharam.
- Tem certeza que você não é a mulher do presidente? – Lucca perguntou me fazendo rir.
Minha mãe já sabia de tudo, porém não podia expor tudo para Lucca. Não é o momento certo.
- Tenho. – Respondi. – Hugh, vai ficar conosco até quando?
- Só vou almoçar e ir para casa. Estão me esperando lá. – Ele respondeu.
- Tudo bem. – Disse.
O carro começou a entrar em movimento. A cada quilômetro rodado meu coração batia mais forte e minhas mãos suavam. Que merda é essa? Só vou ver o Justin.
É, eu vou vê-lo depois de tudo o que aconteceu.
O carro atravessou os portões da mansão e não conseguia nem ligar para os elogios da minha mãe e do Lucca, estava nervosa demais para prestar atenção no que eles estavam falando. Demorei alguns segundos para sair do carro e quando saí, fiquei parada encarando a enorme porta.
- O que foi? – Lucca me perguntou. – Você está pálida, mais que o normal.
Ri fraco.
- Está tudo bem. – Disse. – Vamos.
- Estou louco para conhecer a sua humilde residência. – Ele disse me abraçando de lado.
Minha mãe e Hugh nos acompanharam. Toquei a campainha e Lucca continuou abraçado comigo.
É, estou de volta Justin Bieber. 
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Continua?
Deixe seu comentário!
+200 ✓

sábado, 15 de abril de 2017

The Apprentice - Twenty-first chapter




- Com certeza ela deve sofrer de algum transtorno para agir dessa forma. - disse irrelevante.
- Kate, é sério. Sua mãe é bipolar. - ele disse me olhando sem expressão alguma.
- Você está me dizendo que ela é bipolar de verdade? - perguntei surpresa.
- Sim, é isso.
- E porquê nunca me contaram? - perguntei já ficando com raiva. - Não foram justos comigo.
- Esse assunto sempre foi delicado para a sua mãe. Poucas pessoas da nossa família sabem, e as poucas que sabem nós pedimos segredo. - ele disse.
- Você pode começar do começo, por favor… - disse impaciente.
- Quando eu conheci a sua mãe ela era uma pessoa normal, como todas as outras. Quer dizer, às vezes seu humor variava muito, porém era algo dela já. Depois que nós começamos trabalhar, ficou pior. Nós procuramos ajuda médica e descobrimos que os transtornos de bipolaridade se agravaram com o estresse do trabalho. Como todos já perceberam, sua mãe é voltada muito para o trabalho e quase nada para a família.
- Isso é nítido…
- Durou algum tempo para ela aceitar que não estava bem, foi na época que ela insistiu que te colocássemos no convento. Eu encarei como uma boa opção, pois você não teria que ver os ataques de loucura da sua mãe.
- Me colocar a par de tudo seria uma boa opção. - o cortei mais uma vez.
- Você era nova demais, Kate. De alguma forma nós estávamos te protegendo. - ele disse e revirei os olhos. Eu nunca vou acreditar nessa hipótese. - Enquanto você estava no convento, sua mãe começou o tratamento. Ela começou a tomar remédio controlado, ter consultas com psicólogos, até ficar bem de novo. Foi quando resolvemos tirar você do convento, porém como você pode ver, de uns tempos para cá, voltou tudo de novo. Ela anda uma pilha de nervos tanto em casa como no trabalho.
- E porquê ela não volta com o tratamento? - perguntei.
- Porque ela insiste em dizer que está bem e não quer ser diagnosticada com bipolaridade.
- Você precisa levá-la para iniciar o tratamento de novo. - disse.
- Do que vai adiantar o tratamento se o trabalho é a causa?
- Fala pra ela se afastar.
- Você conhece a sua mãe, Kate. Ela nunca iria fazer isso.
- Bom, na verdade eu acho que não conheço. Você tem que conversar com ela.
- Porque você não conversa junto comigo? - ele me perguntou.
- Eu não estou bem para ter qualquer tipo de conversa com ela. Talvez eu esteja sendo egoísta, mesmo sabendo que não é totalmente culpa dela, mas eu estou magoada. Não quero vê-la. - disse sincera.
- Minha filha, ela vai se sentir pior se você der as costas para ela.
- Eu não estou dando as costas, aliás, estou até pedindo para você levá-la ao médico. Só não quero dar a mão agora, me desculpe.
- Tudo bem, eu entendo você. - ele respirou fundo. - Já está tudo esclarecido?
- Acho que sim, vocês escondem mais alguma coisa de mim?
- Não guarde mágoa, Kate. Você nunca foi assim. - ele disse acariciando minhas mãos.
- Tudo bem. - respondi.
- Bom, eu queria falar outra coisa para você.
- O quê? - perguntei curiosa.
- Ao meu ver, depois de tudo o que aconteceu com você, acho melhor você ter algumas consultas com uma psicóloga. - ele disparou e fiquei o olhando.
- Como assim? Eu estou bem! - rebati.
- Kate, você passou por uma tentativa de estupro. Tem certeza que não ficou nenhuma sequela depois disso? Está na sua cara que você ainda está amedrontada.
- Pai, eu não preciso contar o que aconteceu comigo para uma pessoa desconhecida.  Eu não vou me sentir bem… E para mim, essa história está morta e enterrada.
- Você tem certeza que você a enterrou mesmo? - ele perguntou com uma sobrancelha arqueada.
- Tenho. - disse incerta.
- Eu não senti confiança.
- Pai, eu estou bem. - confirmei.
- Se você diz… - ele disse levantando-se. - Eu vou ter que ir para casa agora, ver como a sua mãe está.
- Tá bom. Converse com ela. - disse.
- Farei isso, alguém nessa família tem que me ouvir né. - ele disse e fiquei calada.
O acompanhei até a porta.
- O erro da sua mãe foi ter aceitado a ajuda tarde demais. Hoje em dia você vê o quanto perturbada ela está. Não deixe isso acontecer com você também. - meu pai disse e beijou minha testa. - Boa noite, eu amo você.
- Boa noite, pai. Também te amo. - sorri fraco.
Abri a porta e meu pai passou pela mesma. Acenei e fechei a porta. Caminhei até o sofá, me sentei e fiquei encarando o nada. Minha mãe é que está precisando de ajuda, eu estou bem. Aquele episódio horrível já passou. O Paul não vai me fazer mal algum, eu estou bem.
- Está tudo bem? - Justin apareceu do meu lado, me assustando.
Estava concentrada demais encarando o nada e nem o vi chegar.
- Estou. - respondi o olhando.
- Então, a conversa foi tranquila? - ele perguntou e assenti com a cabeça. - Hum… - entortou os lábios.
- Crianças, vamos jantar! - Pattie nos chamou.
- Vamos! - Justin disse estendendo sua mão para mim.
- Comi muita besteira à tarde, não estou com fome. - respondi.
- Kate, eu vou ter que enfiar comida à força em você? - ele perguntou um pouco irritado.
- Desculpa, eu só não estou com fome. - disse sincera.
Justin suspirou e começou a andar em direção à cozinha.
- Vem pelo menos tomar um suco. - ouvi ele dizer.
Me levantei e fui para a cozinha, eles já estavam sentados se servindo.
- Tem certeza que não quer jantar? - Jeremy me perguntou.
- Tenho, vou tomar um suco. - disse olhando para o Justin, que estava mais ocupado em comer.
- O de laranja está uma delícia. - Pattie disse e pegou um copo, me servindo.
Tomei só o suco mesmo e fiquei fazendo companhia a eles enquanto jantavam.
(...)
- A conversa com seu pai foi tão séria assim? - Justin me perguntou após chegarmos ao quarto.
- Porque? - perguntei me sentando na beirada da cama.
- Estou te achando tensa. - ele respondeu se jogando na cama.
- Descobri que minha mãe é bipolar, de verdade. - disse e Justin me olhou.
- Que ela não batia bem da cabeça já sabíamos…
- É, meu pai confirmou. E ela não quer se tratar.
- Isso é complicado. Muitas pessoas precisam de ajuda mais não querem ser ajudadas… - ele disse me olhando e o encarei desconfiada.
- Você sabia… - disse.
- De quê?
- Meu pai veio com uma conversa de que preciso ir ao psicólogo e você sabia! - disse após ter juntado todas as peças do quebra-cabeça na minha mente.
- Sabia e concordo com ele. - ele respondeu e o olhei incrédula.
- Até você com isso? - disse irritada. - Porque vocês não acreditam que eu estou bem?
- Por fora está, por dentro não.
- O que aconteceu, já passou. Eu não quero reviver tudo de novo indo para uma psicóloga.
- Ela vai te ajudar a lidar com isso, Kate! Você mesma não está conseguindo.
- Eu não preciso disso. - disse me levantando da cama. - Vou tomar banho.
- Você acha que fugindo do assunto vá resolver o problema, tudo bem… - Justin disse e ignorei entrando no banheiro.
Quantas vezes eu tenho que dizer que estou bem para acreditarem em mim? Tranquei a porta do banheiro e me despi, sem delongas liguei o registro do chuveiro e tomei um banho demorado. Eu tinha que ter a certeza que estava limpa. Acabei esquecendo de levar minha muda de roupa para o banheiro, então saí enrolada no roupão. Justin estava concentrado demais mexendo em seu celular, fui rapidinho para o closet e me troquei.
Me deitei na cama e fiquei encarando o teto.
- Vai ficar chateada? - Justin perguntou.
- Não estou chateada. - respondi sem olhá-lo.
- Nós só queremos o seu bem.
- Ok, eu quero dormir. Vê se as janelas estão fechadas, por favor. - pedi.
- Elas nem foram abertas, Kate. - ele respondeu. - Vem cá.
Me deitei em seu peito e Justin começou a fazer carinhos em meus cabelos, não demorou muito para o sono me vencer.
Eu estava andando pelas ruas com um pressentimento que alguém estava me acompanhando. Porém, eu olhava para trás e não via absolutamente nada e ninguém. Tudo estava escuro e como se não bastasse, uma forte chuva começou a cair. E com isso, veio o frio. Me abracei e apressei os passos, só queria encontrar alguém conhecido e mais nada.
Eu estava tão sozinha.
- Kate! - uma voz sussurrou meu nome.
Olhei para trás e para os lados, não vi nada novamente.
- Quem é? - perguntei com os lábios trêmulos devido ao frio que fazia.
Não obtive resposta.
- Achou que não iríamos mais nos encontrar? - a voz amarga soou novamente, seguida de uma risada irônica.
Sem hesitar, comecei a correr sem destino algum. Só queria ficar longe daquela voz que me dava medo. Corri tanto que minhas pernas chegavam a doer e quase não tinha mais ar em meus pulmões. Cansada, parei de correr e olhei ao meu redor. Tudo escuro e a chuva não parava de cair.
- Buh! - a voz soou novamente ao pé do meu ouvido.
Me virei lentamente e Paul sorria maliciosamente para mim.
- Sentiu minha falta? - ele perguntou sem tirar o sorriso dos lábios.
Minha respiração ficou descompassada e o pânico tomou conta do meu ser.
- Não… Por favor, não. - pedi iniciando um choro.
- Engole esse choro, eu nem fiz nada com você. - ele disse rude. - Ainda. - completou com uma risada sarcástica.
A mesma frase daquela noite, ele havia acabado de proferir novamente e meu ser estremeceu. Eu queria correr porém meu corpo não me obedecia. Eu estava imóvel e ele se aproximava mais de mim. Eu só conseguia chorar e mais nada.
- Eu sou o seu pior pesadelo. - ele disse me rodeando com seus braços.
- ME SOLTA! - gritei.
Me debati tentando me soltar de seus braços, enquanto chorava e pedia para que ele não fizesse nada comigo.
- Kate! Calma, sou eu. - reconheci a voz de Justin, abri os olhos e vi que não era Paul ali.
- Justin! - o abracei com todas as minhas forças e desabei a chorar.
- Foi só um pesadelo… - ele dizia tentando me acalmar.
- Não, ele veio atrás de mim de novo.
- Não, ele nunca esteve aqui. Está tudo bem.
Só consegui chorar e mais nada. A porta foi aberta, era Pattie e Jeremy.
- Que gritos são esses? - Pattie perguntou.
- A Kate teve outro pesadelo. - Justin respondeu.
- Eu pensei que a casa estava sendo assaltada. - Jeremy disse.
- Vou buscar um copo com açúcar pra ela. - Pattie disse.
- Ele vai vim atrás de mim… - sussurrei entre soluços.
- Kate, ele está preso e não irá fazer mal algum à você. - Jeremy respondeu.
Eu queria acreditar, mas eu sabia que uma hora ou outra Paul viria atrás de mim.
Justin Bieber’s POV
Acordei com a Kate tendo outro pesadelo. Ela não conseguia se acalmar, até a minha mãe dar água com açúcar para ela. Quando ela dormiu, o dia já estava amanhecendo e foi quando consegui dormir também. Acordei com minha mãe perguntando se eu não ia para a faculdade. Na verdade eu sentia vontade de dormir pelo resto do dia. Preferi não acordar a Kate e fui tomar um banho, me arrumei e fui almoçar.
- Mãe, fica de olho na Kate. - pedi arrumando a mochila nas minhas costas.
- Ficarei, boa aula querido. - ela disse.
- Obrigado. - saí de casa e entrei no meu carro.
Poucos minutos já estava passando pelos portões da Universidade. Estacionei meu carro, mal coloquei os pés fora e Caitlin já estava me bombardeando de perguntas.
- Calma criatura. Fala devagar. - disse pegando minha mochila e travando o carro.
- Cadê a Kate? - ela perguntou.
- Em casa, dormindo. - respondi.
- Porque ela não veio com você?
- Caitlin, a Kate não está bem. Ontem ela teve outro pesadelo com o filho da puta do Paul. Eu e o pai dela queremos que ela aceite ir à uma psicóloga, porém ela não quer.
- Vocês acham que isso é mesmo necessário?
- Claro que é. Você precisa ver, a Kate está com medo até da própria sombra. Você poderia ir conversar com ela, talvez ela aceite ir.
- Eu não sabia que ela estava assim… Que dó da Kate. - Caitlin lamentou.
- Eu nem sei como ela ainda deixa eu chegar perto dela… - disse e Caitlin entortou os lábios.
Encontramos com os garotos e expliquei a situação de novo para eles. A ajuda de todos é essencial. Não vou deixar que a Kate se afunde, sendo que nós podemos ajudá-la.
Dei graças à Deus quando a aula terminou. Confesso que nem prestei muito atenção nas aulas de hoje, estava preocupado com a Kate. Levei Caitlin comigo, talvez ela convença a Kate a ir à uma psicóloga. Chegamos em casa e encontrei minha mãe assistindo TV.
- Oi mãe. - disse. - Cadê a Kate?
- No quarto. - ela respondeu. - Oi Caitlin.
- Oi tia! - Caitlin respondeu simpática.
- Vamos subir. - disse.
Chegando ao meu quarto, encontramos Kate toda enrolada assistindo TV.
- Hey baby. - disse e ela nos olhou.
- Porque me deixou sozinha? - ela disse levantando-se e vindo me abraçar, como se estivesse com anos que não nos víamos.
- Precisei ir à faculdade. - respondi beijando sua testa. - Você almoçou? - perguntei e ela assentiu com a cabeça.
- Será que dá para largar esse loiro e vim me abraçar também? - Caitlin rebateu.
- Oi prima. - ela disse indo abraçar a Caitlin.
- Fiquem aí conversando, vou tomar banho. - disse e pisquei para a Caitlin.
Era agora que ela tinha que entrar em ação. Fui para o banheiro e fiquei fazendo hora lá dentro. Lavei o cabelo e fui ver se tinha algum pelo no meu rosto para tirar, já que Deus não me presenteou com uma barba de vergonha. Depois de quase meia hora, saí enrolado em uma toalha e não tinha mais ninguém no quarto, além de mim. Ué, para onde as duas foram? Fui para o closet e coloquei uma roupa, arrumei meu cabelo e quando saí do closet, Kate estava entrando no quarto.
- Caitlin já foi? - perguntei.
- Nesse instante. - ela disse sentando-se na cama. - Você falou para a Caitlin sobre a psicóloga né?
- Falei. - respondi dando de ombros. - Ela também se preocupa com você.
- Eu sei. - ela respondeu.
- Baby… - disse baixinho me aproximando dela.
Kate levantou-se e me deixou no vácuo.
- Porque saiu? Eu ia te beijar.
- Desculpa, foi reflexo. - ela disse acanhada.
- Ok. - respondi e me joguei na cama.
- Não fica chateado comigo, foi sem querer.
- Está tudo bem, Kate. - disse por fim.
Uma semana depois…
Kate teve pesadelo durante toda a semana. Dormi mal pra caralho. Paul mesmo preso, era presente em casa para a Kate. Ela estava com tanto medo que via Paul em todos os lugares. Isso estava me irritando e ela não deixava eu chegar sequer, perto dela. A nossa ida para a cabana no lago foi por água abaixo, ela não quis sair de casa.
Kate já faltou uma semana de aula e iria faltar mais uma, porém era por uma boa causa. Ela iria para a psicóloga querendo ou não.
- Kate! - disse tentando acordá-la.
Eu já estava acordado à tempos, desde a hora que ela teve pesadelo, de novo.
- Hum… - ela resmungou e aos poucos foi abrindo os olhos.
Estavam bem inchados e vermelhos, devido ao choro intenso da madrugada.
- Vamos à um lugar. - disse.
- Onde? - ela perguntou coçando os olhos.
- Toma um banho e eu te conto. - respondi.
Ela não questionou e fez o que eu pedi. Esperei ela se arrumar e descemos, fiz ela comer alguma coisa.
- Onde vamos? - ela perguntou.
Segurei em sua mão e saímos de casa. O sol incomodou seus olhos e ela os fechou rapidamente. Kate estava até pálida, faziam dias que ela não colocava nem os pés fora.
- Logo irá saber. - respondi.
Entramos no meu carro e o liguei. Dirigi até a casa de Kate e ela me olhou.
- Porque estamos aqui? Não quero ver minha mãe. - ela disse atordoada.
- Calma! - disse e buzinei.
Segundos depois, Erick saiu da casa e entrou no carro.
- Oi filha.
- Oi pai. - ela respondeu. - Onde vamos?
- Vamos te levar à uma psicóloga. - ele respondeu.
- Eu não quero ir. - ela rebateu.
- Kate, no momento você não tem escolhas. Não vê que a cada dia que passa você fica pior? Você vê o Paul em todos os lugares, mesmo ele estando preso. - respondi e ela abaixou a cabeça.
Em seguida, ouvimos seu choro baixo.
- Vai ficar tudo bem, filha. - Erick disse.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Continua?
Obrigada por todos os comentários!